quinta-feira, 10 de maio de 2012

Situação epidemiológica da malária no Estado do Tocantins, Brasil, a partir da emancipação política e administrativa, 1989 a 2009


      A malária é uma doença muito antiga, cujos relatos de febres intermitentes antecedem a era cristã. Ela já provocou inúmeras mortes e muitos problemas sociais e econômicos, a ponto de ser reconhecida como uma das mais graves doenças parasitárias no mundo (COURA et al., 2006; BRASIL, 2006).
      A infecção é causada por um protozoário. Em 1898, Ronaldo Ross encontrou formas do parasito no interior de um mosquito que se alimentara de um portador da doença. Desde então, tem-se conhecimento que a transmissão da malária ocorre pelo mosquito do gênero Anopheles. Na região Amazônica, o Anopheles darlingi é o principal vetor de real importância epidemiológica, por sua distribuição geográfica, antropofilia e capacidade de ser infectado por diferentes espécies de Plasmodium (BRASIL, 2006; LOIOLA et al., 2002).
      As espécies parasitárias associadas à malária humana no Brasil são: Plasmodium vivax; Plasmodium falciparum; e, eventualmente, Plasmodium malariae (BRASIL, 2006; OLIVEIRA-FERREIRA et al., 2010). No Tocantins, embora haja registros da predominância do P. vivax desde 1993, com 53,66% dos casos (MARQUES E GUTTIERREZ, 1994), e aumento progressivo até 2002, com 79% dos casos (BRASIL, 2004), o P. falciparum é a espécie mais virulenta da malária, responsável pelas formas graves que podem levar a óbito (SILVA e OLIVEIRA, 2002).
      O Estado do Tocantins foi instituído no ano de 1988, a partir do desmembramento de Goiás, e sua emancipação política e administrativa aconteceu no ano seguinte. Segundo Marques e colaboradores (1986), em 1985, Goiás registrou 2.101 (31,7%) casos autóctones, 31 (0,5%) introduzidos e 4.497 (67,8%) importados, distribuídos em 75 municípios. Do total de autóctones, 78,1% foram notificados em 20 municípios da região Norte goiana, hoje integrante do Estado do Tocantins.
      Saiba mais e leia o artigo “SITUAÇÃO EPIDEMIOLÓGICA DA MALÁRIA NO ESTADO DO TOCANTINS, BRASIL, A PARTIR DA EMANCIPAÇÃO POLÍTICA E
ADMINISTRATIVA, 1989 A 2009.” No link abaixo, e publicado na Revista Epidemiol. Serv. Saúde, Brasília, 21(1):129-140, jan-mar 2012.  Site:
      O estudo descreve os principais indicadores epidemiológicos da malária no Estado do Tocantins, Brasil, e compara com àqueles da Amazônia legal, entre 1989 e 2009. O Tocantins registrou 5.679 casos de malária em 1989 e 129 casos em 2009; nesse período de 20 anos, a incidência parasitária anual diminuiu 94%; os casos importados predominaram sobre os
autóctones durante toda a série histórica; o indicador de internações por malária permaneceu elevado; Plasmodium vivax foi a principal causa de morbidade. Constatou-se que o Tocantins se classifica como área de baixo risco para malária e assemelha-se à situação epidemiológica dos estados não Amazônicos; porém, em função dos casos importados, o esforço conjunto das instituições locais deve se manter ativo para detectar os primeiros sinais da doença e evitar o surgimento dos casos isolados.
 
Referências
1. Coura JR, Suárez-Mutis M, Ladeira-Andrade S. A new challenge for malaria control in Brazil: asymptomatic Plasmodium infection – A Review. Memórias do Instituto Oswaldo Cruz. 2006;101(3):229-237.
2. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de Vigilância Epidemiológica. Ações de controle da malária: manual para profissionais de saúde na atenção básica. 2ª ed. Brasília: Ministério da Saúde; 2006.
3. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Coordenação-Geral do Programa Nacional de Controle da Malária. Plano de Intensificação das Ações do Controle da Malária na Amazônia Legal: período julho de 2000 a dezembro de 2002. 2ª ed. rev. Brasília: Ministério da Saúde; 2004
4. Loiola CCP, Silva CJM, Tauil PL. Controle da malária no Brasil: 1965 a 2001. Revista Panamericana de Salud Pública. 2002;11(4):235-244.
5. Oliveira-Ferreira J, Lacerda MVG, Brasil P, Ladislau JLB, Tauil PL, Daniel-Ribeiro CT. Malaria in Brazil: na overview. Malaria Journal. 2010;9:115.
6. Marques AC, Pinheiro EA, Souza AG. Um estudo sobre dispersão de casos de malária no Brasil. Revista da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical. 1986; 38:51-75.
7. Marques AC, Gutierrez HC. Combate à malária no Brasil: evolução, situação atual e perspectivas. Revista da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical. 1994;27 Supl 3:S91-108.
8. Silva LHP, Oliveira VEG. O desafio da malária: o caso brasileiro e o que se pode esperar dos progressos da era genômica. Ciencia & Saúde Coletiva. 2002;7(1):49-63.

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Perfil epidemiológico da malária no Estado do Tocantins, Brasil, no período 2003 a 2008.

A malária humana, como doença parasitária de evolução rápida, continua sendo um grave problema se saúde pública. Nenhuma outra doença parasitária, transmitida ao homem através de alguns mosquitos do gênero Anopheles, atinge e mata um número tão grande de pessoas. Além de colocar sob o risco de contrair a doença cerca de 40% da população mundial residente em áreas tropicais e subtropicais, a estimativa é que surjam de 300 a 500 milhões de novos casos/ano e ocorram de 1,5 a 2,7 milhões de óbitos anuais, sendo em sua maioria crianças com menos de 5 anos de idade (LOU et al., 2001; BRASIL, 2006).
A infecção é causada por um protozoário unicelular do gênero Plasmodium e cada espécie tem características diferentes para a doença. No Brasil, as espécies mais frequentes que causam infecções em humanos são: P. vivax, responsável por 83,7% dos casos registrados, P. falciparum, por 16,3% e P. Malariae, raramente observada OLIVEIRA-FERREIRA et al. (2010). No entanto, estudos conduzidos por ARRUDA et al. (2007) revelou uma discrepância entre a prevalência de anticorpos contra o P. malariae com os casos de malária notificados oficialmente. Segundo os autores, a baixa incidência de relatos sobre esta espécie deve-se ao método de gota espessa, a técnica oficial para o diagnóstico de malária no Brasil, que não permite avaliar a diferença morfológicas das hemáceas infectadas com P. vivax e P . malariae, e isso pode levar a uma identificação equivocada da espécie, subestimando a verdadeira incidência desta última.
A principal forma de transmissão da malária é através da picada da fêmea, do mosquito do gênero Anopheles infectada. Geralmente ocorre em populações vivendo em condições insatisfatórias de habitação e trabalho, ocupação desordenada do solo, exploração mineral, colonização agrária, projetos de assentamento e colonização agrária e a intensa migração das áreas rurais para a periferia das cidades (SILVEIRA e REZENDE, 2001). A qualidade, a extensão de medidas de protecção e os cuidados à saúde das populações expostas, influenciam positivamente no controle da doença (MARQUES e GUTIERREZ, 1994), mas as dificuldades enfrentadas para reduzir os fatores de risco econômicos e sociais na Região Amazônica, dificultam a eliminação da doença (OLIVEIRA-FERREIRA et al., 2010).
Em relação à profilaxia, não existe uma vacina disponível que protege contra a malária. Para estar mais protegido, as pessoas precisam permanecer informadas sobre os riscos de contrair a doença, estabelecer medidas de proteção adequadas e, ainda assim, estar ciente de que todos os métodos de prevenção podem falhar. Se isso ocorrer, o diagnóstico precoce e o tratamento, tanto adequado quanto oportuno, são hoje os principais alicerces para o controle dessa doenaça (BRASIL, 2008).
No continente americano 36,5% das pessoas vivem em áreas propícias à transmissão da doença (IDHS e PNUD, 2005). Na América Latina, os países que dividem a floresta amazônica (Bolívia, Colômbia, Equador, Peru, Venezuela, Brasil, Guiana Francesa, Guiana e Suriname), sofreram o maior impacto do problema em 2004, com 91% dos casos de malária e 79% de mortes atribuídas à malária, e o Brasil, contou com 52,27% do total de casos, seguido por Colômbia e Peru (OPAS, 2005).
Na área brasileira, 99,8% da malária encontra-se na Amazônica Legal, comprosta pelos Estados do Acre, Amapá, Amazonas, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins (BRASIL, 2008). A região possui características geográficas e ecológicas altamente favoráveis ​​à interação do Plasmodium e do mosquitos Anopheles, que associados a fatores sócio-culturais, econômicas e políticas dependentes do homem, originam diferentes níveis de transmissão endêmica (MARQUES e GUTIERREZ, 1994).
O Tocantins está localizado ao sudeste da Região Norte do Brasil e faz fronteira ao sul com o Estado de Goiás, ao norte com Maranhão e Pará, a leste com o Maranhão, Piauí e Bahia, e a oeste com Mato Grosso e Pará (IBGE, 2009). Apesar de pertencer à Amazônia Legal é atualmente considerado área não endêmica, mas com risco de transmissão de malária (BRASIL, 2006) e apresenta características climáticas e ambientais favoráveis ​​ao desenvolvimento do vetor.
Saiba mais e leia o artigo “EPIDEMIOLOGICAL PROFILE OF MALARIA IN THE STATE OF TOCANTINS, BRAZIL, FROM 2003 TO 2008.” anexado a este blog, e publicado na Rev. Inst. Med. Trop. São Paulo. 2011; 53(3):141-147, May-June, 2011.  Site: http://www.scielo.br/pdf/rimtsp/v53n3/a05v53n3.pdf.
O estudo descreve o perfil epidemiológico da malária no Estado do Tocantins, no período 2003 a 2008, investiga a associação entre a frequência da malária e o crescimento populacional, classifica os casos por autóctone e importada, relaciona os índices da doença e analisa a distribuição dos casos por espécie de Plasmodium, faixa etária e gênero. Foram 19.004 amostras para malária investigadas, sendo 19% positivas; 73,32% por Plasmodium vivax, 21,80% por Plasmodium falciparum, 4,79% por infecções mistas e 0,08% por Plasmodium malariae. Os indivíduos masculinos representaram 76,95% e predominaram em todos os anos e faixas etárias, principalmente naqueles de 15 a 49 anos. Do total de casos, 34,27% tiveram origem autóctone e 65,73% importado. Durante toda série, a frequência da malária reduziu de forma significativa e, concomitantemente, reduziram os municípios com transmissão autóctone. Constatou-se que no Estado do Tocantins a malária é predominantemente importada, relacionada às atividades de campo. Por isso, é importante salientar a necessidade de manter medidas efetivas de vigilância em todo Estado e aprimorar ações educativas no sentido de orientar a população na busca pelo atendimento precoce.
Referências
ARRUDA ME, ZIMMERMAN RH, SOUZA RM, OLIVEIRA-FERREIRA J. Prevalence and level of antibodies to the circumsporozoite protein of human malaria parasites in five states of the Amazon region of Brazil. Mem Inst Oswaldo Cruz. 2007;102:367-71.
BARBOSA WB. Levantamento epidemiológico de malária na cidade de Manaus em 2005. Rev Ci Med Biol. 2008;7:156-62.
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Situação epidemiológica da malária no Brasil, 2006. Brasília: Ministério da Saúde; 2006.
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Situação epidemiológica da malária no Brasil, 2008. Brasília: Ministério da Saúde; 2008.
INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA (IBGE). Unidades Territoriais de cada unidade da Federação - Estado do Tocantins. Available from: http://www.sidra.ibge.gov.br. Accessed May 30, 2009.
INSTITUTO DE DESENVOLVIMENTO HUMANO SUSTENTÁVEL DA PUC MINAS (IDHS); PNUD Brasil. OBJETIVO 6: combater o HIV/AIDS, a malária e outras doenças. In: Objetivos do Milênio. Belo Horizonte: PUC Minas; 2005. p. 76-116. Available from: http://www.virtual.pucminas.br/idhs/02_pnud/ODM_WEB/livro_4_dividido/livro4b_objetivo6.pdf. Accessed June 05, 2008.
LOU J, LUCAS R, GRAU GE. Pathogenesis of cerebral malaria: recent experimental data and possible applications for humans. Clin Microbiol Rev. 2001;14:810-20.
MARQUES AC, GUTIERREZ HC. Combate à malária no Brasil: evolução, situação atual e perspectivas. Rev Soc Bras Med Trop. 1994; 27(Suppl 3):91-108.
OLIVEIRA-FERREIRA J, LACERDA MVG, Brasil P, Ladislau JLB, Tauil PL, Daniel-Ribeiro CT. Malaria in Brazil: an overview. Malar J. 2010;9:115.
ORGANIZAÇÃO PAN-AMERICANA DA SAÚDE (OPAS). A malária e as metas de desenvolvimento internacionalmente acordadas, inclusive as constantes da declaração do milênio. CD46/17. julho 2005. Available from: http://www.paho.org/portuguese/gov/cd/cd46-17-p.pdf. Accessed Nov 08, 2007.
SILVEIRA AC, REZENDE DF. Avaliação da estratégia global de controle integrado da malária no Brasil. Brasília: Organização Pan-Americana de Saúde; 2001.

quinta-feira, 31 de março de 2011

Manifestações dermatológicas provocadas por lagartas em Palmas, no período 2006 a 2011

Éldi Vendrame Parise
Vigilância Epidemiológica. Secretaria Municipal de Saúde de Palmas

     A Secretaria Municipal de Saúde de Palmas/Tocantins, através da área técnica de vigilância de acidentes por animais peçonhentos vem identificando aumento das notificações de acidentes causados por taturanas nos primeiros meses do ano, o que despertou a preocupação da equipe de vigilância. Esses animais estão sendo encontrados com maior frequência junto às residências, em ambientes onde existe a presença de vegetação. Geralmente o ferimento acontece quando as pessoas tocam a lagarta com as mãos ou a espreme com os dedos. Após a introdução das cerdas, o veneno é injetado. A dor é imediata e violenta com sensação de queimação, podendo irradiar-se para outras partes do corpo. O local fica vermelho e inchado podendo ocorrer ínguas.
     As lagartas são insetos pertencentes à Ordem dos Lepidópteros (borboletas e mariposas) que se encontram na fase larvar. São insetos lentos e mansos. Não “pulam” e não “voam”. Geralmente estão aderidas às folhas, galhos ou troncos das árvores, ocasião em que são “tocadas” pelas pessoas (Instituto Butantan, 2009).
     Apesar de esses animais causarem acidentes e alguns prejuízos às lavouras, elas são importantes para o equilíbrio da natureza, e, geralmente surgem em maior abundância devido aos desequilíbrios ambientais provocados por desmatamentos, queimadas, extermínio de predadores por aplicação de agrotóxicos e por proliferação de loteamentos em áreas de florestas (Instituto Butantan, 2009).
     Em Palmas, os acidentes dermatológicos provocados por lagartas referem-se à espécie Podalia sp, que estão sendo encontradas em árvores frutíferas dos quintais e em plantas ornamentais de jardins, como o pingo-de-ouro, amendoim forrageiro, ecsória, dentre outras.
     De Janeiro de 2006 a março de 2011, foram registrados 135 atendimentos por esse agravo, e destes, 94,85% dos casos ocorreu nos três primeiros meses do ano, período em que a região vivencia a estação chuvosa e, consequentemente, a vegetação encontra-se mais exuberante, proporcionando um ambiente favorável para a proliferação desses insetos. Verificou-se que 68,38% ocorreram nas mãos e pés, porém, 91,91% não estão relacionadas ao trabalho; 32,35% ocorreram em crianças menores de nove anos, justamente por não possuírem o cuidado suficiente para evitar o contato e também por estarem sendo atraídas pela coloração apresentada por elas e, 47,79% ocorrem na faixa etária de 20 a 49 anos, faixa de idade em que as pessoas exercem certas funções que permitem sua exposição próxima ao habitat natural do animal. Na maioria das vezes esses acidentes ocorrem quando os indivíduos tocam no animal, ao buscar alimentos e frutas, ou ao encostar-se em troncos e árvores, em momentos de lazer.
     É importante ressaltar que a prevenção ainda é o melhor remédio contra acidentes com animais peçonhentos. Com taturanas não é diferente. Ao trabalhar na lavoura, colher frutos no pomar ou em qualquer atividade em ambiente silvestre deve-se observar bem os troncos, folhas, flores, gravetos antes de manuseá-los; e, sempre use luvas.
     Em caso de acidente por taturanas, recomenda-se a aplicação de compressa de água fria no local do contato, elevação do membro acometido. Caso a dor seja insuportável há necessidade da aplicação de anestésico injetável no local, que será realizada por profissional da área médica. É também de grande importância que a taturana causadora do acidente acompanhe o acidentado, para uma identificação correta (MS/ Funasa, 2001). 
     Lembre-se que, a lagarta é apenas uma das fases da vida do inseto. Ao encontrar taturanas, não mate-as. Colete-as e procure um profissional para a identificação correta e encaminhamento ao órgão competente (CCZ). Desta forma, você estará colaborando com a ciência e preservando a natureza.

Referências Bibliográficas
Ministério da Saúde. Fundação Nacional de Saúde. Brasil. Manual de diagnóstico e tratamento de acidente por animais peçonhentos. 2ª edição. Brasília: Funasa, 2001. 120p.
Instituto Butantan. Laboratório de Parasitologia/Entomologia. Brasil. Taturanas. Acessado em: 05 mar 2009. Disponível em: www.butantan.gov.br.
Vigilância Epidemiológica. Secretaria Municipal de Saúde. Dados sobre lagartas. Sinan NET, 2011.

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Análise espacial e determinação de áreas prioritárias para o controle da malária no Estado do Tocantins, 2003 a 2008

A malária é uma doença com perfil do mundo subdesenvolvido. Hoje em dia, ela é endêmica em 106 países e afeta um número de pessoas jamais conhecido na história (FINKEL, 2007). Aproximadamente, 2,4 bilhões de pessoas vivem em áreas onde há risco de contrair a infecção (OMS, 2000), especialmente na África, Ásia e América do Sul e Central. O maior foco de transmissão é a África Subsahariana, onde ocorrem 90% de todos os casos e mortes por malária no mundo (FINKEL, 2007). Ocorrem cerca de 1,5 a 2,7 milhões de mortes a cada ano, a maioria causada por Plasmodium falciparum, sendo mais de um milhão em crianças menores de 5 anos de idade. O restante das mortes são, principalmente, em mulheres na sua primeira ou segunda gestação, adolescentes, adultos jovens, viajantes (JARDÍNES, 2001), idosos e pessoas não-imunes, recém-chegadas a áreas endêmicas (MS, 2001).
Os agentes etiológicos da malária humana são: Plasmodium falciparum, responsável pela terçã maligna; Plasmodium vivax, responsável pela terçã benigna; Plamodium malariae, responsável pela febre quartã e Plasmodium ovale, causador de uma forma de terçã benigna existente, principalmente, no continente africano. No Brasil, as duas primeiras espécies são mais prevalentes, enquanto o Plasmodium malariae ocorre raramente (MS, 2006). O parasita apresenta dois ciclos de reprodução, sendo que a fase assexuada ocorre no hospedeiro intermediário (homem) e a fase sexuada no hospedeiro definitivo (mosquito Anopheles) (BARBIERI, 2005).
Geralmente, a enfermidade é transmitida pela picada de mosquitos, do gênero Anopheles, infectados e sua transmissão não se dá na mesma forma e rapidez em todas as áreas endêmicas. Sua distribuição está fundamentalmente baseada no hábito dos vetores, hábito das pessoas e modo de ocupação (DIAS, 2003; TAUIL, 2002).
De uma forma geral, as causas da malária são sempre múltiplas, um processo altamente complexo que envolve o agente, o hospedeiro e o ambiente, claramente associados à água, umidade, florestas e temperatura (TOSTA, 2007). Normalmente, estão relacionadas à alta densidade anofélica, amplitude da malha hídrica, cobertura vegetal, desmatamentos, construção de hidroelétricas, estradas, sistema de irrigação, extração mineral e a presença de numerosos grupos populacionais, que somados às precárias condições de moradia, favorecem a aproximação do homem com o vetor e, consequentemente, uma rápida expansão da doença (MS, 2005). O processo migratório de populações procedentes de regiões do país onde não existe transmissão da malária para uma região altamente favorável à transmissão, é considerado um fator decisivo para o crescimento progressivo do número de casos e dispersão da doença (TAUIL, 2002).
Devido à ampla incidência e aos efeitos debilitantes, a malária é uma das doenças que mais contribuem para a decadência do homem da região amazônica, pois, além de reduzir os esforços físicos das pessoas na busca de seus recursos econômicos, diminui a capacidade produtiva e dificulta as condições de vida, interferindo no desenvolvimento socioeconômico da região (MS, 2005).
Sendo a malária um agravo que não se distribui de forma homogênea em todas as áreas (TAUIL, 2002), e que possui características de uma doença focal, com áreas de transmissão natural, restrita a algumas regiões dentro de um mesmo país (DIAS, 2003), é de fundamental importância a identificação das áreas de maior risco de transmissão para direcionar os esforços de forma mais precisa.
Saiba mais sobre a malária no Tocantins e leia o artigo completo “Análise espacial e determinação de áreas prioritárias para o controle da malária no Estado do Tocantins, 2003-2008” anexado a este blog, e publicado na Revista da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical 44(1):63-69, jan-fev, 2011.  Site: http://www.scielo.br/pdf/rsbmt/v44n1/15.pdf.

Referências
BARBIERI AF. Uso do solo e prevalência de malária em uma região da Amazônia Brasileira. Cad Geografia 2005; 15:9-30.
DIAS RC. Uma contribuição ao estudo da malária no Estado de Roraima e sua associação com a precipitação pluviométrica no período de 1985 a 1996. [Tese de Doutorado]. [Rio de Janeiro (RJ)]: Escola Nacional de Saúde Pública, Fundação Osvaldo Cruz; 2003.
FINKEL M. Bedlam in the blood malaria. Natl Geogr Mag 2007; 212:32-67.
JARDÍNES IQ. Malaria: características generales y situación actual em Cuba y lãs Américas. Biblioteca Virtual de Vigilância em Salud. 6: 2001. [Acesso em 29 jan. 2009]. Disponível em http://www.bvs.sld.cu/uats/rtv_files/rtv0501.htm/.
MINISTÉRIO DA SAÚDE. Fundação Nacional de Saúde. Manual de Terapêutica da Malária. 6ª ed. Brasília: Ministério da Saúde; 2001.
MINISTÉRIO DA SAÚDE. Secretaria de Vigilância em Saúde. A malária no Brasil: situação epidemiológica da malária no Brasil 2005. Brasília: Ministério da Saúde; 2005.
MINISTÉRIO DA SAÚDE. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de Vigilância Epidemiológica. Ações de controle da malária: manual para profissionais de saúde na atenção básica. 2ª ed. Brasília: Ministério da Saúde; 2006.
ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DE SAÚDE. Tratamento da malária grave e complicada: guia de condutas práticas. 2ª ed. Brasília: Organização Mundial de Saúde; 2000.
TAUIL PL. Avaliação de uma nova estratégia de controle da malária na Amazônia Brasileira. [Tese de Doutorado]. [Brasília (DF)]: Universidade de Brasília; 2002.

TOSTA CE. Coadaptation and malaria control. Mem Inst Oswaldo Cruz 2007; 102:385-404.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Malária - Doença Parasitária

A denominação malária é proveniente da expressão italiana “mau aire” e fundamentada na crença de que era um mal vindo do ar, por acreditar-se em causa oriunda de emanações e miasmas vindos dos pântanos (DUTRA, 2007).
Relatos que antecedem a era cristão referem que a malária, tem se comportado como um dos principais flagelos da humanidade (CAMARGO, 2003). No mundo todo já provocou inúmeras mortes e muitos problemas sociais e econômicos, tanto que tem sido reconhecida como uma das mais graves doenças parasitárias no mundo (COURA JR et al., 2006).
A fase sintomática inicial da malária caracteriza-se por mal-estar, cefaléia, cansaço e mialgia. O ataque agudo inicia-se com calafrios que dura de 15 minutos a uma hora, seguido por uma fase febril (41ºC ou mais), depois sudorese abundante, fraqueza intensa; as vezes, dores abdominais e diarréia.  Os acessos maláricos se repetem a cada intervalo de 48 horas para P. falciparum, P. vivax e P. ovale e a cada 72 horas para P. malariae.  Após alguns ciclos de reprodução, o paciente passa a apresentar níveis elevados de parasitemia, vômitos repetidos, icterícia, urina escura, insuficiência renal aguda, insuficiência respiratória, disfunção hepática, distúrbios hemorrágicos, alucinações, convulsões, podendo evoluir para coma e morte (BRASIL, 2001; PARISE, 2009).
O protozoário é transmitido de uma pessoa para outra através da picada da fêmea infectada do mosquito do gênero Anopheles ou, mais raramente, por outros meios que coloque o sangue de uma pessoa infectada em contato com o de outra pessoa sadia (FERREIRA, 2006), como: transfusão de sangue contaminado, transplante de órgãos, seringas compartilhada, da gestante para o filho antes ou durante o parto e acidentes de laboratório (MARTINS et al., 2007).
Não existe vacina disponível contra a malária. O diagnóstico da malária só é confirmado mediante exame laboratorial, pela visualização do parasito em microscopia ótica (BRASIL, 2001). Para estar mais protegido deve-se permanecer informado sobre os riscos de aquisição da doença, empregar medidas de proteção adequadas (evitar estar em rios e lagos ao amanhecer e ao entardecer, usar mosquiteiros, repelente, telas em portas e janelas). Se os métodos de prevenção falhar, o diagnóstico precoce e o tratamento adequado previnem a ocorrência de casos graves, o paciente fica curado e elimina as fontes de infecção para os mosquitos (MARTINS et al., 2007).
Importante destacar que o controle da malária não depende exclusivamente do setor saúde, mas de todos os setores que participam do desenvolvimento do país. É indispensável a participação de instituições e de pessoas responsáveis pela educação, pela exploração de recursos naturais, pela preservação do meio ambiente, pela utilização e proteção dos cursos d’água, pela abertura de estradas, e decisão da sociedade em participar (JARDINES IQ, 2001).
Saiba mais e leia o artigo “Malária grave em Palmas, Estado do Tocantins: relato de caso” anexado a este blog, e publicado na Revista da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical 42(4):463-468, jul-ago, 2009.  Site: http://www.scielo.br/pdf/rsbmt/v42n4/a21v42n4.pdf.
Bibliografia
BRASIL Ministério da Saúde. Fundação Nacional de Saúde. Manual de Terapêutica da Malária.  6. ed. rev.  Brasília: FUNASA; 2001. 104 p., il.
COURA JR, SUÁREZ-MUTIS M, LADEIRA-ANDRADE S. A new challenge for malaria control in Brazil: asymptomatic Plasmodium infection – A Review. Mem Inst Oswaldo Cruz. 2006; 101(3):229-37.

CAMARGO EP. Malária, maleita, paludismo. Ciência e Cultura. 2003; 55(1): 26-29.
DUTRA AP. Malária: informações para profissionais de saúde. SUCEN. Disponível em: http://www.sucen.sp.gov.br/doenças/malaria/testo_malaria_pro.htm . Acesso em: 21 out. 2007.
FERREIRA P. Malária. Agência Fiocruz de Notícias/Saúde e Ciências para Todos, 2006.  Disponível em: http://www.fiocruz.br/ccs/glossário/malaria.htm. Acesso em: 25 dez. 2007.
JARDÍNES IQ. Malaria: características generales y situación actual em Cuba y lãs Américas. Biblioteca Virtual de Vigilância em Salud. Cuba. 2001; 6(5).
MARTINS FSV; CASTIÑEIRAS TMPP; PEDRO LGF. Malária.   Centro de Informações em Saúde para Viajantes (CIVES). Disponível em: http://www.cives.ufrj.br/informacao/malária/mal-iv.html. Acesso em: 19 out. 2007.
PARISE EV. Malária Grave em Palmas, Estado do Tocantins: relato de casos. Rev Soc Bras Med Trop. 2009; 42(4):463-468.

sábado, 5 de fevereiro de 2011

A educação caminhando a passos largos

A educação que acreditamos ser o ideal para um futuro cada vez melhor é aquela que estimula a curiosidade, a imaginação e a criatividade, construída a partir de constantes desafios.
A escola é um dos principais espaços da criança e do adolescente capaz de provocar transformações profundas na sua vida social, pois possibilita ampliar seus conhecimentos e com isso aumenta sua capacidade de colaborar, de opinar, de questionar e com isso, torna-se possível modificar os rumos da sociedade. Para promover o desenvolvimento integral da criança e do jovem para que possam enfrentar as situações desafiadoras do presente e do futuro, reais e imaginárias, é importante a união e a vivência de outros espaços de aprendizagem, como a família e as instituições religiosas.
A introdução de tecnologias avançadas vem favorecendo a transformação das aulas e contribuindo para facilitar a fixação e aprendizagem dos conteúdos. Com isso torna-se necessário investir na formação de professores para que inspirem à seus alunos, confiança e domínio dos processos de comunicação. Para isso, vale a pena inovar, testar, experimentar, para avançar mais rapidamente e com segurança.
Quanto à gestão, estamos caminhando para formas mais flexíveis, integradas e menos centralizadas, onde os alunos começam a utilizar a tecnologia para ampliar seus conhecimentos e solucionar suas dúvidas. Os professores, como parte do processo gerador de autonomia e facilitador da aprendizagem, precisam se familiarizar com a tecnologia e fazer uso dela de forma cada vez mais intensa, buscando alternativas para ilustrar suas idéias e com isso, motivar seus alunos. Com isso, os ambientes escolares passarão a ser mais diversificados. Além de sala de aula e bibliotecas de livros, começaram a fazer parte do ambiente escolar, espaços de mídia, software, banco de dados e assessoria. E aí que entra o verdadeiro papel do professor, não apenas um repassador de informações, fazendo uso de giz e saliva, mas exercerá realmente seu papel, que é se uma “biblioteca ambulante”, onde se encontram as informações adquiridas e processadas ao longo dos anos.
Haverá realmente uma transformação, onde aprende quem quer e não forçar um adolescente a aprender aquilo que não quer. Quem despertar sua consciência para o estudo e tiver ao seu lado pais conscientes para orientar seus filhos a estudar e enfrentar o mundo lá fora, com certeza sobressair-se-á neste mundo globalizado.
As mudanças na educação não serão uniformes nem fáceis. Iremos mudando aos poucos, em todos os níveis e modalidades educacionais. Existem desigualdades econômicas, de acesso, de maturidade e de motivação das pessoas. Alguns estão preparados para a mudança, outros muitos não. Até porque, torna-se difícil mudar padrões adquiridos, governos e as atitudes dos profissionais e da sociedade (MORAN, 2007).
As possibilidades educacionais que se abrem são imensas e os problemas também serão gigantescos. Muitos cursos poderão ser realizados a distância com som e imagem, principalmente cursos de atualização e extensão. É ali que os problemas começarão a se manifestar, porque não temos experiência consolidada de gerenciar pessoas individualmente e em grupo, simultaneamente, ou seja, à distância. Para conciliar esta fase, as estruturas organizativas e currículos terão que ser muito mais flexíveis e criativos, o que não parece uma tarefa fácil de se realizar (MORAN, 2007).
Numa sociedade em mudança acelerada, o que faz a diferença é a qualificação das pessoas. Além da “competência intelectual, do saber específico, é importante termos muitas pessoas que nos sinalizem com possibilidades concretas de compreensão do mundo, de aprendizagem experimentada, de novos caminhos, de testemunhos vivos -embora imperfeitos- das nossas imensas possibilidades de crescimento, em todos os campos” (MORAN, 2007).
O certo é que a tecnologia vem se modernizando a passos largos e o professor, como parte do processo gerador de conhecimentos e transformador da sociedade, precisa ampliar seus horizontes, se preparar para evoluir nos moldes da tecnologia, porque as mudanças estão surgindo e seu futuro será imprevisível.  
Aproveite e veja o vídeo “Tecnologia na Educação”.


quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

O papel das tecnologias digitais no contexto escolar

As novas tecnologias educacionais surgiram para revolucionar as práticas utilizadas em sala de aula, permitindo que as crianças façam parte do mundo globalizado desde muito cedo. Para os envolvidos em educação é importante superar as práticas pedagógicas pela qual fomos formados, basicamente baseadas em leituras de livros e textos.

Com o advento da tecnologia, a diversidade de métodos para se obter aprendizagem evoluíram bastante. Os computadores dominaram o mercado, a internet faz com que o homem possa conhecer o mundo sem sair de casa e com isso, a educação também terá que se modernizar. Para isso, junto com as técnicas consideradas tradicionais, fazem-se necessário o uso de outras tecnologias, como as digitais, pois estas ilustram as atividades e passam a contribuir na aprendizagem dos alunos. 

Nos dias atuais as tecnologias digitais devem ser tratadas como livros didáticos animados, similar ao que ocorre com revistas e jornais. Porém, deverá ser introduzido com cautela junto aos professores, pois a introdução repentina poderá provocar desconforto e contribuir ainda mais para o stress dos educadores; visto que é uma concepção de ensino distante das orientações até então usadas para a formação.
A utilização de tecnologias no contexto escolar exige também, alterações na organização e estruturação pedagógica. No entanto, já se consegue identificar junto às escolas públicas um movimento de informatização, tentando colocar os alunos em contato com o meio eletrônico.
Embora notória a importância dessas novas tecnologias no âmbito escolar, ainda é desconhecido os modos como elas são apropriadas pelos professores. Muitos educadores não dominam esta técnica, não sabem como fazer um documento escrito na forma digital, muito menos planejar suas aulas no formato de apresentação, em Power Point ou em Excel. Por isso, as mudanças deverão ser introduzidas juntamente com a  capacitação dos educadores, pois estes, como eu, não foram formados para ensinar, utilizando-se desta tecnologia.
Essa falta de domínio com a tecnologia passa a ser mais um complicador para o docente que, além de precisar dominar o conhecimento específico acerca da disciplina escolar a qual leciona, deverá também ser capaz de identificar as tecnologias digitais como linguagem favorecedora para apreensão da realidade. 
Sem dúvida, é outra forma de ensinar, que oferece novas possibilidades de aprender e, possivelmente, em período breve, deverá deixar de ser considerado como método auxiliar da aprendizagem para tornar-se centro de outra forma de aprender. E nós como educadores deveremos contribuir para que esse processo de transição não seja traumático, que seja incorporado aos poucos e que, tanto alunos, como professores sejam positivamente beneficiados.